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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Redes Sociais: em vez de proibir, empresas devem educar funcionários



Para especialista, as pessoas estão muito associadas às organizações para as quais trabalham e precisam ter cuidado com suas ações 05 de Agosto de 2011 | 09:10h


Por Tatiana Americano

Ainda existe muita polêmica em torno do uso das mídias sociais no ambiente corporativo. Por questões de segurança, preocupação com a produtividade dos profissionais e até medo do vazamento de informações, muitas empresas ainda optam por proibir o acesso a esse tipo de ambiente. Os especialistas alertam, no entanto, que não se trata de uma opção e, sim, de um caminho sem volta para as organizações, na medida em que as próprias relações de negócio começam a migrar para ambientes como Facebook, Twitter e LinkedIn.

“Há algumas décadas, existia uma discussão de se os funcionários deveriam ter um aparelho telefônico na mesa de trabalho. A mesma dúvida reapareceu com a chegada do e-mail e agora com as mídias sociais”, considera Gil Giardelli, CEO da consultoria Gaia Creative e professor de redes sociais na ESPM. Para ele, em vez de questionar a possibilidade de acesso a esses ambientes, as companhias deveriam estar preocupadas em ensinar os usuários a como se portar nesses sites.

O primeiro passo para isso, segundo Giardelli, é criar diretrizes para que os profissionais entendam qual a postura mais adequada. “A partir do momento que os profissionais trabalham para uma empresa, eles estão associados a ela”, afirma o especialista. Ele cita, no entanto, que as pessoas tendem a esquecer disso quando entram nas redes sociais fora do horário de trabalho. “Com isso, passam a discutir coisas como salário e problemas com chefe com os amigos do Facebook, sem perceber que elas estão na rede mundial (internet)”, acrescenta.

E os problemas, segundo Giardelli, ocorrem com profissionais que estão em todos os cargos. Para ilustrar, ele cita o recente caso de um diretor de uma empresa listada na bolsa de valores e que enviou uma mensagem para 40 amigos no Facebook indicando que o momento era propício para comprar ações de sua companhia. Com isso, o executivo, mesmo sem saber, infringiu a lei que não permite que altos executivos divulguem informações privilegiadas de corporações que estão na bolsa.

Para evitar esse tipo de problema, grandes empresas começaram a inserir, junto ao contrato de trabalho que os funcionários assinam no momento da contratação, cláusulas referentes ao uso das mídias sociais. Mas o especialista lembra que ainda não existe uma lei no Brasil específica para punir esse tipo de infração. “As empresas não podem criar regras, mas recomendações”, assinala Giardelli.

Outra forma de conscientizar os funcionários sobre o uso adequado das redes sociais é promover eventos com especialistas ou os próprios profissionais da empresa, com o intuito de mostrar casos práticos de erros e acertos cometidos nesses ambientes.

“As mídias sociais são como um bilhete para uma viagem de cruzeiro só de ida. Depois que as empresas permitem o acesso a elas, é um caminho sem volta”, enfatiza o professor. “Mas as companhias estão cada vez mais conscientes de que isso [permitir o acesso] traz mais benefícios do que problemas para os negócios”, completa.

 Encontrado em: http://olhardigital.uol.com.br/negocios/digital_news/noticias/redes_sociais_em_vez_de_proibir_empresas_devem_educar_funcionarios

sábado, 20 de junho de 2009

Estresse, depressão e trabalho


Em abril de 2004, a VOCÊ S/A promoveu um bate-papo online entre a psicóloga Ana Maria Rossi e os leitores.


Veja como foi a discussão

A psicóloga gaúcha Ana Maria Rossi é presidente no Brasil da International Stress Management Association. Doutora pela Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, ela estuda as causas de estresse e depressão em executivos há 30 anos. Na terça-feira, dia 17, a psicóloga participou do bate-papo online de VOCÊ S/A. Durante uma hora, Ana respondeu às perguntas dos leitores. Confira.


Vivo sob constante pressão e não estou conseguindo fazer nada além de pensar em meu trabalho, você sugere alguma terapia?


Dra. Ana Maria Rossi - A tendência no mercado de trabalho é que as pressões e as demandas aumentem cada vez mais. É responsabilidade de cada um de nós estabelecer limites que nos possibilitem preservar a saúde e nossa qualidade de vida. A necessidade de terapia dependerá do grau de disfunção que experiencias no momento. Sugiro que consideres fazer alguma atividade física regularmente e incluas na tua rotina alguma técnica de relaxamento como a meditação, yoga, etc.


Como identificar problemas de saúde relacionados ao stress. Existem problemas mais comuns, por exemplo? E que tipo de especialista devo procurar neste caso?


Dra. Ana Maria Rossi - Os problemas de saúde podem se manifestar através de sintomas físicos, emocionais e comportamentais. Entre os sintomas físicos, os mais freqüentes são: as dores musculares, incluindo dor de cabeça, taquicardia, hipertensão arterial e problemas gastrintestinais. Sintomas emocionais: angústia, depressão, ansiedade, preocupação e insônia. Comportamentais: agressividade/passividade, distúrbios alimentares e mudanças na libido.


Como um profissional que está em depressão pode ser considerado bom no que faz, se a doença afeta seu desempenho?


Dra. Ana Maria Rossi - Sem dúvida, a depressão não apenas afeta o desempenho como a qualidade do sono, o nível de energia, o apetite, a libido, enfim, afeta a vida da pessoa como um todo.


Por que essa questão do stress e trabalho se tornou tão comum?


Dra. Ana Maria Rossi - Realmente, se tornou tão comum que está tendendo para o trivial. Mas, não há dúvida de que o impacto do stress na saúde e na qualidade de vida da pessoa podem ser um estímulo e motivá-la a atingir seus objetivos como pode gerar situações devastadoras.


Como lidar com o stress que caminha para a depressão, se não for possível eliminar a causa? Como conviver com ela?


Dra. Ana Maria Rossi - O importante é que a pessoa possa exercitar autocontrole lembrando que se não tiver controle para mudar a situação, pode sempre controlar a maneira como reage fisiologica e emocionalmente à situação. A depressão está entre os sintomas emocionais mais freqüentes assim como os distúrbios de ansiedade.


Sou bacharel em direito, formado há dois anos e tenho desde essa época estudado pra concursos.

Às vezes tenho muito sono e não tenho vontade de estudar. Já li sobre o assunto e gostaria de saber se isso é um sinal de depressão ou stress?


Dra. Ana Maria Rossi - Os distúrbios de sono (muito ou pouco), e a sonolência podem ser sintomas de stress, assim como de alguns distúrbios emocionais, inclusive a depressão. No entanto, pode também sinalizar falta de motivação e tédio.


Qual sugestão a sra. me daria entao? Gosto muito do direito, mas quando estudo tenho a sensação de que não estou assimilando nada e de que não chegarei a lugar nenhum?


Dra. Ana Maria Rossi - Talvez o fato de estares estudando a tanto tempo já tenha se tornado uma rotina e não apresente o desafio que precisamos para ativar a nossa concentração e o nosso interesse. Sugiro que avalies o horário que estás estudando, a alimentação que consomes antes de estudar e as atividades que te envolves antes. Também, verifica se o ambiente é bem arejado, limpo e bem iluminado para que tenhas as condições mais propícias ao estudo.


Como se exercita o autocontrole emocional?


Dra. Ana Maria Rossi - O autocontrole se exercita através do autoconhecimento (a pessoa conhecer seus limites e suas potencialidades) e da disciplina mental para que ela tenha o poder de focalizar sua atenção naquilo que ela deseja e que não se torne uma escrava dos seus próprios pensamentos. O autocontrole requer prática regular e principalmente quando a pessoa estiver se sentindo emocionalmente estável. Este é o momento ideal para ela treinar.


Ter um elevado grau de autoconhecimento nem sempre ajuda a combater o stress/depressão, né? Pode acontecer que a ansiedade seja maior ainda por ter consciência das limitações?


Dra. Ana Maria Rossi - Certamente, o autoconhecimento é importante mas não é suficiente. Uma vez que a pessoa identifique algum sintoma ou problema e não se sinta apta para lidar adequadamente com ele, ela pode ficar ainda mais estressada e ansiosa. O ideal é que o autoconhecimento motive a pessoa a buscar técnicas eficientes para controlar as suas emoções.


Trabalho por conta própria e tirar férias é quase impossível. Nesses casos, tirar férias em semanas resolve ?


Dra. Ana Maria Rossi - As férias curtas e freqüentes atualmente são consideradas pelas pesquisas de stress como a forma ideal de recarregar a bateria sem todo o acúmulo de stress inevitável quando se tira férias longas.


Dra Ana, depois que ja entramos em um quadro depressivo digamos ativado pelo stress, é possível reverter?


Dra. Ana Maria Rossi - Depende do nível da depressão. Se a pessoa sofrer de depressão profunda que a torne disfuncional para suas atividades cotidianas, ela possivelmente necessitará de tratamento medicamentoso e terapia.


Eu tenho uma forte tendência à procastinação, mas venho lutando contra ela. Alguma dica?


Dra. Ana Maria Rossi
- A procastinação normalmente ocorre quando a pessoa tem uma baixa tolerância à crítica, se sente insegura em relação à sua qualificação para executar a tarefa ou está sobrecarregada. Além dessas situações, é claro que tem aquelas pessoas que estão condicionadas a ir empurrando as coisas com a barriga.

Que tipos de praticas podem desenvolver o autocontrole?


Dra. Ana Maria Rossi
- A disciplina mental é a condição mais importante para a prática do autocontrole. Ela pode ser exercitada através de técnicas de relaxamento e de meditação.

Em relação a enfrentar as emoções e/ou pensamentos destrutivos, geralmente, o que é melhor: Tentar esqueçê-los ou encarar de frente?


Dra. Ana Maria Rossi - Depende da importância do evento e se a pessoa se sente apta a lidar com ele. Se a pessoa não tiver controle sobre a situação, é melhor virar a página. Se ela tiver controle, mas não se sentir qualificada no momento para enfrentá-la, deve procurar ajuda. Se ela estiver apta a lidar com a situação, é melhor que lide com ela para não ficar bloqueando sua energia.


Às vezes os tratamentos nos deixam muito apáticos, eu mesma ja abandonei alguns. Acho que a medicacão faz com que deixemos de pensar, não?


Dra. Ana Maria Rossi - Alguns medicamentos podem interferir com a atividade cognitiva da pessoa. No entanto, se ela estiver num processo de depressão profunda ou sofrendo de uma ansiedade muito elevada, talvez seja o mais indicado até que a pessoa possa se estabilizar emocionalmente. Quanto às terapias, há inúmeras modalidades. Talvez possas buscar diferentes alternativas (cognitiva, comportamental) até achares a que melhor atende as tuas necessidades.


Dra. montei a minha empresa e estou trabalhando muito, inclusive aos finais de semana. Isto tem me causado muito cansaço e stress. Ando constantemente com os nervos à flor da pele. O que devo fazer?


Dra. Ana Maria Rossi - Lamentavelmente, varinha de condão só existe na nossa fantasia. É importante seres realista a respeito das tuas limitações e ter a disciplina mental para ouvir o teu corpo. Freqüentemente, o excesso de trabalho diminui a qualidade e o nível de produtividade da pessoa. Sugiro que avalies o teu estilo de vida e procures aprimorá-lo para que te sintas mais preparada para lidar com as pressões que enfrentas nesse momento.


Também trabalho de domingo a domingo, e muitas vezes parece que tenho que carregar o mundo nas costas e não tenho como fugir. Às vezes isto me dá uma certa inércia...


Dra. Ana Maria Rossi - Sugiro que visites o site da ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), www.ismabrasil.com.br, link dicas de leitura. No site, encontrarás também um teste para medir o teu nível de stress e um link de perguntas mais frequentes que são enviadas pelos internautas.


Qual o melhor exercício para relaxar? Existe algum que você recomede?


Dra. Ana Maria Rossi - Não fomos feitos para estar constantemente ligados. A excelência pessoal é fruto do equilíbrio entre o físico, o mental e o emocional. O melhor exercício para relaxar é sem qualquer dúvida a prática da respiração abdominal. Esta é a maneira mais eficiente para controlar as emoções e destensionar o corpo. Inspira sempre que for possível pelo nariz para purificar o ar e imagina que estás inflando um balão no abdomen. Expira pausadamente pelo nariz ou pela boca esvaziando o balão. Pratica o relaxamento principalmente quando estiveres te sentindo bem.


LEIA A REPORTAGEM 70 ANOS DE ESTRESSE


O que é stress

Encontrado em: http://vocesa.abril.com.br/informado/aberto/ar_130445.shtml

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Para onde vai o seu tempo

Pesquisa da Microsoft mostra que muita gente perde tempo cumprindo tarefas que não dão resultado algum

Por Anne Dias


Ninguém discorda da máxima que diz "tempo é dinheiro". Muito menos o engenheiro industrial e consultor Rodrigo Ferro Rivera, paulistano de 37 anos. Ele é analista da Finacorp Securities, uma corretora americana com filial em São Paulo que lida com aplicações financeiras. Durante as dez horas de seu expediente, Rodrigo atende clientes, faz investimentos para eles, conversa com a matriz. Ele tenta otimizar seu tempo, mas, mesmo assim, perde uma hora e meia por dia. O que o faz desperdiçar minutos tão importantes? Reuniões sem foco, trânsito, almoços de negócios fora da empresa e telefonemas de gente pedindo doação. Rodrigo recebe cerca de 500 e-mails por dia e desenvolveu uma técnica para lidar com eles. Se o remetente não diz a que veio no "subject", ele apaga a mensagem. "Cada minuto que eu perco atrapalha o resto da semana", diz.


Situações semelhantes a esta estão mensuradas numa pesquisa desenvolvida pela Microsoft entre setembro de 2004 e janeiro deste ano. No total, 38 112 profissionais de 200 países responderam a um questionário com 18 perguntas que estavam no site da empresa. Só no Brasil, cerca de mil pessoas, com idade média de 33 anos, participaram do estudo. Quando perguntados sobre o que interrompe a produção diária, os brasileiros responderam que são assuntos como apagar incêndio de alguma crise de última hora, além das conversas paralelas (o famoso vaivém da rádio-peão). São obstáculos à produtividade que também atrapalham profissionais do resto do mundo, mas não com tanta força. "O problema está na falta de planejamento e de organização", diz Paula Bellizia, gerente-geral da divisão de information worker da Microsoft.


Pela pesquisa, os brasileiros se vêem produtivos apenas 60% do tempo. Ou seja, dois dias da semana são perdidos por causa desses inimigos invisíveis (veja tabela ao lado). "O brasileiro é trabalhador, mas não é produtivo", diz Paula. E também pensa diferente. Enquanto a maioria dos brasileiros prefere flexibilizar o horário, americanos e europeus gostariam que a semana não fosse tão rígida, para, por exemplo, folgar na quinta e trabalhar no domingo. O recado é: organize-se para ter foco e não perder tempo com bobagem.


JORNADA IMPRODUTIVA

No Brasil, quem trabalha dez horas por dia, cinco dias por semana, na verdade trabalha apenas três dias. O resto é perdido em reuniões inúteis, telefonemas desnecessários ou respondendo e-mails (em % de horas trabalhadas)


Horas produtivas:

60 - BRASIL

65 - EUA

65 - EUROPA

63 - MÉDIA


sábado, 30 de maio de 2009

Fofoca - A arma dos tolos e ociosos


“A fofoca é o mais desprezível dos vícios; pois, por não poder influenciar o espírito e o caráter dos sábios, rasteja como uma serpente venenosa e refugia-se na alma dos fracos, tolos e ociosos”

Por Gutemberg B. de Macêdo

A fofoca é um fator inerente à vida de qualquer sociedade, seja ela primitiva ou desenvolvida. No Brasil, travestida da preocupação com a verdade, a fofoca ganha especial notoriedade. Ela se manifesta através da esperteza de falsos "especialistas" que destilam inveja, ódio, despeito, ciúme, vingança e maldade. São críticos da vida alheia que não conseguem ver nada de positivo na beleza, no sucesso, no talento e na vitória, de outras pessoas, a não ser nos próprios atos. Além deles, há os ociosos, que por nada fazerem, se aprimoram na arte de criar notícias, informações, contra-informações, intrigas e ofensas imaginárias.


A fofoca é um mal que se propaga com a velocidade do som; elas têm a força dos ventos e o poder destrutivo de um terremoto. Com elas, especuladores de plantão conseguem provocar a alta ou a queda de ações das bolsas de valores e influenciar o desprestígio ou a ascensão de governantes e nações. Com elas, pessoas inescrupulosas põem em cheque a reputação de homens ou mulheres e a imagem de organizações, públicas ou privadas. As fofocas contaminam os bons costumes, azedam as relações interpessoais, destroem a eficácia do trabalho de profissionais e o ambiente de trabalho de inúmeras empresas. Além disso, põem em risco o patrimônio empresarial e as relações trabalhistas entre empregadores e empregados, promovem o favorecimento indevido de uns e a demissão sumária de outros, semeiam o radicalismo e o ódio, dentre tantos e tantos efeitos nocivos.


Não há exército capaz de detê-las, espiões preparados para rastrear suas pegadas desde sua origem, testemunhas conscientes e dispostas a confirmá-las; promotores aptos a denunciá-las ou juízes conscientes e decididos a condená-las. Portanto, a sua volta não existem leis, discrição, policiamento, segurança empresarial, padrões éticos, dignidade, verdade ou justiça. Elas atacam indistintamente, amigos e inimigos mortais, ricos e pobres, poderosos e fracos, jovens e adultos. Como folhas secas, elas costumam flutuar na superfície. Afinal, os fofoqueiros não são pessoas que gostam de mergulhar nas profundidades à busca de pérolas, mas preferem as superfícies. Aqui, justifica-se a sábia análise de Platão, um dos pais da filosofia grega: “Os sábios falam porque têm algo a dizer; os tolos, porque têm de dizer algo".





As fofocas, dificilmente, têm propósito construtivo, educativo ou mesmo, corretivo. A razão é muito simples: os fofoqueiros ignoram o momento de encerrar a busca por novas informações; além disso, eles geralmente as modificam e enfeitam antes de transmiti-las, com o propósito de torná-las um salvo-conduto, apto a lhes assegurar vantagens e lucros pessoais, mesmo que não sejam duradouros. No mundo empresarial, como em qualquer outra instituição séria, o fofoqueiro, mesmo que desfrute da simpatia e dos aplausos daqueles que o cercam e bajulam, jamais será visto como pessoa confiável. Os elogios que recebe são geralmente hipócritas e destituídos de valor, porque frágeis demais para coibir o efeito negativo do veneno que destilam em suas histórias e fantasias. Quem teria, porventura, a coragem de confidenciar a um indivíduo bisbilhoteiro determinadas informações? Que garantia teria qualquer cidadão de que essas mesmas informações não circulariam pelo mundo afora? Que líder, em sã consciência, promoveria tal indivíduo, sabendo de antemão que ele não inspira confiança e que suas palavras não merecem credibilidade?


Barry Eigen, registrou essa particularidade ao escrever: "Confiança é a chave. É a crença na lealdade de outra pessoa. É a fé em sua capacidade de pensar e em seu julgamento, sabendo por antecipação que seu comportamento será sempre adequado, em qualquer circunstância. É ter certeza da integridade e da ética do outro, é sentir-se tranqüilo, quando a pessoa assume o comando. Significa ainda, poder contar com ela, tendo a certeza de que as situações difíceis serão tratadas de maneira correta, racional, pronta e eficiente. Enfim, confiar é ter segurança". Quando a fofocagem se torna um hábito entre as pessoas numa empresa, seja ela pública ou privada, seus efeitos negativos não demoram a aparecer. Paira um sentimento de desconforto, insatisfação, suspeita, e até mesmo de paranóia. Alguém diz algo a outra pessoa sobre uma terceira (ausente). É muito difícil que alguém seja produtivo e eficaz, quando percebe que está sob o fogo serrado e cruzado da fofocagem – é preciso se proteger. Por outro lado, é difícil olhar para a frente quando se tem de olhar para trás. Geralmente, a queda é muitas vezes inevitável, ou a cadência da corrida diminuída.


A bem da verdade, é impossível banir de uma empresa a fofoca, mas ela pode ser reduzida, significativamente, se os profissionais tomarem alguns cuidados e providências.





· Fale diretamente, e não pelas costas, com as pessoas que você julga despreparadas. Aja com elas de maneira correta e justa.


· Não fale sobre seus problemas pessoais com aqueles indivíduos que, de antemão, você sabe, geram dúvida quanto à capacidade de ajudá-lo. É preferível chorar sozinho na privacidade de seu quarto a fazê-lo em público, nos ombros da pessoa errada.

· Quando tiver dúvidas em relação a uma pessoa e seus atos, que o afetem direta ou indiretamente, confronte-a corajosamente, mas em particular. Fazê-lo em público significa expor-se e multiplicar as dúvidas existentes.

· Embora seja uma tendência natural, muitas pessoas – sabemos - desejam expressar suas opiniões e versões publicamente. Quando se sentir tentado a fazê-lo, reflita e contenha o ímpeto de se expor desnecessariamente. Diz a sabedoria popular: “Em boca fechada, não entra mosquito.”


· Cuidado para não julgar precipitadamente as pessoas e os fatores que as motivam a agir de modo pouco convencional ou duvidoso. A mesma língua ferina, que critica e envenena as ações de outras pessoas, poderá voltar-se contra si mesmo e deixá-lo em apuros como crítico contumaz e insensato.


· Quando se perceber tentado a dar ouvidos a fofoqueiros, mesmo que por brincadeira ou curiosidade, reaja. Sua atitude não poderá jamais encorajar a prática da fofoca entre seus pares e colaboradores. Lembre-se que a maledicência só serve para corromper os bons costumes.



· Preocupe-se e ocupe-se com aquelas coisas que contribuem para o desenvolvimento do seu caráter, de sua carreira e de sua companhia. A fofoca, certamente, não tem esses atributos. “Mind your own business” (‘cuide do próprio negócio) – ensinavam os puritanos que fizeram a colonização norte-americana.



· Evite o descontrole emocional diante das pessoas com quem trabalha. As irritações do dia-a-dia não podem afetar as relações de trabalho. Elas podem conduzir a desdobramentos comprometedores à imagem de um líder perante sua equipe.

· E, por último, omitir, falsificar ou dar propriedade de seriedade a uma inverdade com a intenção de enganar é também uma forma vergonhosa de mentir. Ela pode até ser considerada “uma mentirinha branca, sem muitas conseqüências” e socialmente aceitável, mas mesmo assim continua sendo uma mentira. E essa qualquer que seja a sua forma, deve ser evitada, se ambicionamos um mundo melhor, mais justo e mais seguro.



É preciso que as pessoas se conscientizem de que o tempo é fator estratégico em suas vidas. Portanto, ocupá-lo com assuntos de menor importância significa perdê-lo. “Diga-me como trata o presente e lhe direi que filósofo você é... Se você ligar o presente, tudo estará ligado. Se você mantiver o presente livre, então haverá lugar para as outras liberdades. Se você esterilizar o presente, tudo o mais será estéril, vazio. Se você tornar o presente fecundo, tudo o mais será fecundo” (Charles Péguy).



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