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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Menino que Vendia Palavras

Eduardo Moscovis atua em espetáculo centrado no universo infantil

A associação é quase automática: um espetáculo sobre o universo infantil destina-se ao público mirim, certo? Não no caso de “O Menino que Vendia Palavras”, que faz curta temporada no Espaço Sesc [Copacabana], no Rio de Janeiro. Baseada em livro homônimo de Ignácio de Loyola Brandão, vencedor do Prêmio Jabuti em 2008, a montagem conta a história de um menino (interpretado por Pablo Sanábio) que, diante da curiosidade dos amigos sobre os significados das palavras, passa a negociá-los. Para isso, conta com a ajuda do pai (Eduardo Moscovis), um homem culto.

O texto, adaptado por Pedro Brício, é inspirado em experiências vividas na infância pelo autor, que explicava para amigos o significado de determinados nomes, em troca de bolinhas de gude e figurinhas. Dirigida por Cristina Moura, a montagem procura falar também aos adultos. “Temos essa intenção de atingir diversas faixas etárias. Por isso, procuramos não infantilizar as interpretações. Além do pai, faço também o Perneta, um dos garotos da turma, mas não tento parecer uma criança”, explica Moscovis, que também divide o palco com Letícia Colin, Renato Linhares, Luciana Fróes e Raquel Rocha.

O ator não esconde, porém, que suas três filhas – Gabriela, de 12 anos; Sofia, de 10, e Manuela, de 4 – foram não apenas uma motivação para a participação em uma peça de temática infantil, mas também inspiração durante as discussões sobre o texto.

“Não tem como deixar de lado a experiência como pai de três meninas. Até mesmo no momento de inverter os papeis e fazer uma criança que desafia o pai. Durante os ensaios e nas oficinas que realizamos, falávamos muito de nossas experiências pessoais. Acho que as três, que acompanharam de perto o desenvolvimento desse trabalho, vão curtir”, conta o ator, cuja mulher, a apresentadora Cynthia Howlett, está grávida novamente.
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Encontrado em: http://www.globoteatro.com.br/reportagem/index/371

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Copacabana
Espaço Sesc Até 10 set 2011
sáb 14:00 , 17:00 | qui e sex 10:30 | dom 17:00
R$ 20.00 (com a doação de um livro - R$ 7)
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

7 - O Musical


Vencedor do prêmio Shell (2008)
"7 - O musical" foi o recordista de indicações, mas levou apenas três dos seis prêmios a que concorria: direção (Charles Moeller), figurino (Rita Murtinho) e iluminação (Paulo Cesar Medeiros).

FICHA TÉCNICA:

Duração: 135 min, com intervalo
Censura: 14 anos
Gênero: Musical
Cotaçao: **** (estrelas)
Mais informações: de Cláudio Botelho e Charles Möeller


Resenha de VEJA RIO
Mais autoral dos espetáculos da dupla, o ousado musical com música de Ed Motta e letras de Botelho baseia-se nas histórias dos Irmãos Grimm, em especial Branca de Neve. Em um Rio de Janeiro encantado, sete mulheres têm seus destinos cruzados desde que uma delas, Amélia (Alessandra Maestrini), perde o amor de sua vida para uma moça mais jovem e mais bela. Com Alessandra Verney, Eliana Pittman, Ivana Domenico, Janaína Azevedo, Marina Ruy Barbosa, Ida Gomes, Rogéria, Tatiana Kohler, Zezé Motta e outros.


Teatro Carlos Gomes
Horário: Quinta a sábado, 20h; domingo, 18h. Até domingo (1º)
Ingresso: R$ 30,00


domingo, 12 de outubro de 2008

Sweeney Todd (Teatro - Lisboa)

Se sair do Teatro Aberto a cantar “o rei da barba e do bigode” é normal, faz parte do musical de Sondheim, diz Ana Dias Ferreira


História de terror que é história de terror tem de ter sempre uma banda sonora que meta um órgão, daqueles antigos, de igreja, de onde não saem só marchas nupciais mas as músicas mais tétricas. Esta história tem: órgão logo ao início, personagens de cara branca, olheiras e lábios pretos, um serial killer que corta pescoços com a navalha da barba e que usa carne humana para fazer empadas. E, claro, sangue. Muito sangue.


Sweeney Todd, o Terrível Barbeiro de Fleet Street, chegou ao Teatro Aberto. Não é apenas uma história de terror – é um musical em versão de thriller melodramático com crítica social. Um espectáculo que João Lourenço, encenador, define como teatro total: “Tem música quase de ópera, canto lírico, representação teatral e coreografia”, num elenco que junta uma dezena de actores, 12 bailarinos, um coro de 16 elementos e uma orquestra de dez.


O espectáculo, uma co-produção Teatro Aberto e Teatro D. Maria II, é a versão portuguesa – assinada por João Lourenço, Vera San Payo de Lemos e José Fanha – do famoso musical de Stephen Sondheim, que estreou na Broadway de Nova Iorque em 1979. E conta a história de Benjamin Barker, mais conhecido como Sweeney Todd, uma espécie de Jack o Estripador, versão lenda.


Benjamin Barker (Mário Redondo) é barbeiro em Fleet Street, com loja no andar vizinho de Mrs. Lovett (Ana Ester Neves), cozinheira das “melhores empadas de Londres”.


Alvo de uma cilada, é condenado injustamente a servir nas galés, e regressa ao fim de 15 anos para saber que a mulher que fora obrigado a deixar se suicidou depois de ter sido violada pelo mesmo juiz que o tinha condenado, “e por todos os que se quiseram servir”. Obcecado pela vingança, acaba por encontrar na navalha que servia para cortar barba uma boa ferramenta para cortar pescoços. E adopta o nome pelo qual fica famoso, Sweeney Todd.


A história foi contada em folhetins do século XIX, adaptada ao teatro na mesma altura e ao cinema pela primeira vez em 1926, num filme mudo do qual não resta nenhuma cópia. Com o tempo, outras versões foram apresentadas, fez-se um bailado e até BD para crianças.


Entretanto, quase a chegar está a versão do realizador Tim Burton, que por altura do Natal estreia a sua versão do musical, Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, com Johnny Depp – quem mais? – no papel do “terrível barbeiro”. [Já lançado]


“É uma personagem que tem sido alvo de atenção ao longo dos séculos porque exerce um enorme fascínio”, diz Mário Redondo, barítono (foi o protagonista da Ópera dos Três Vinténs) que interpreta Todd. “Simboliza a possibilidade de qualquer um de nós de repente se transformar numa espécie de monstro”, continua o actor. “Não é como o Hannibal Lecter, que é um gajo doente. É alguém que foi vítima de uma coisa horrível e nos põe a pensar como é que se transpõe a ideia de vingança em relação a uma pessoa para a ideia de vingança de uma sociedade em geral.”


João Lourenço chama-lhe anti-herói e ficou fascinado com a história quando, há 20 anos, em Nova Iorque, assistiu ao musical juntamente com Vera San Payo de Lemos. “Nessa altura eu só conhecia o Stephen Sondheim enquanto letrista do West Side Story, fui completamente surpreendido”, conta o encenador. Foi à procura de mais informação sobre a personagem, “que não se sabe ao certo se existiu ou não”, andou pela Fleet Street, visitou a cave onde supostamente Todd e Lovett guardariam os cadáveres para fazer as empadas. Durante anos pensou em passar a história para português, e depois de 12 meses a fazê-lo conseguiu encená-la pela primeira vez no D. Maria II, faz agora dez anos.


Nesta nova versão – onde apenas se repetem dois actores, Henrique Feist e Carlos Guilherme – João Lourenço experimenta um novo olhar: “Quisemos sair de Londres, deixar os capacetes dos polícias, os Big Bens, e ser mais uma parábola onde se satiriza a matança, o serial killer. É uma versão mais actualizada, hoje as mortes estão mais banalizadas.”


Sempre que Sweeney Todd corta as gargantas, ouve-se um som lancinante, como um grito metálico. O encenador conta que o efeito é conseguido com um piano eléctrico e que Sondheim chama a esta nota, na partitura, “a nota da morte de Sweeney Todd”. Dó é que não deve ser.

Qua-Sáb 21.30, Dom 16.00 20€. Até 30 Dez. Teatro Aberto
Ana Dias Ferreira
terça-feira, 16 de Outubro de 2007

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