Foto de Amy Winehouse ilustrava cápsula de cocaína
Uma operação da PM nas favelas de Manguinhos e Mandela, na zona norte do Rio de Janeiro, provocou um prejuízo estimado pela própria polícia em aproximadamente R$ 500 mil, nesta terça-feira (9). Um homem foi preso e um menor apreendido.
Em vários pontos das favelas, foram apreendidos 5.000 trouxas de maconha, 10 kg da droga em tablete, aproximadamente 5.000 pedras de crack e 2.500 cápsulas de cocaína. Além da grande quantidade de drogas, foram apreendidas uma metralhadora Madsen, calibre 7.62 e uma submetralhadora calibre nove milímetros.
Os policiais do Batalhão da Maré (22º BPM) também encontraram farto material para misturar e embalar drogas, como sacos plásticos, cápsulas para colocar cocaína, liquidificadores, facas, colheres, tesouras, entre outros objetos.
O que mais chamou a atenção dos policiais, no entanto, foram as “homenagens” feitas a personalidades nas embalagens das drogas. As cápsulas de cocaína tinham a foto e o nome da cantora Amy Winehouse. Já as pedras de crack tinham a imagem do jogador do Flamengo, Willians, numa referência a craque do esporte.
As trouxas de maconha e outras drogas levavam a foto do terrorista morto Osama Bin Laden, com a inscrição “saudades eternas”, a mesma encontrada em uma camiseta apreendida pela polícia.
As imagens de jogadores é comum em embalagens de drogas nas bocas de fumo do Rio, mas a da cantora Amy Winehouse surpreendeu os policiais, que acreditam que a imagem dela tenha sido usada por ser reconhecidamente usuária de drogas.
O menor apreendido estava com uma moto roubada, enquanto o rapaz preso estava com uma mochila cheia de maconha. Houve troca de tiros durante a operação, mas ninguém ficou ferido.
(Armas, drogas e material para embalagem foram levados para o pátio do Batalhão da Maré (Foto: Marcelo Bastos)
27/03/2010 - 00h28 Casal Nardoni é condenado pela morte da menina Isabella
da Folha Online
Atualizado às 00h41.
O pai e a madrasta de Isabella Nardoni, 5, foram condenados pela morte da menina, em júri popular que terminou na madrugada deste sábado. Os jurados entenderam que a menina foi asfixiada e jogada do sexto andar do prédio onde moravam Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em março de 2008.
O casal foi condenado por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por ter alterado a cena do crime). De acordo com a sentença, no total, Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado, pelo fato de ter sido cometido contra menor de 14 anos e agravado por ser contra descendente. Ele também foi condenado a oito meses pelo crime de fraude processual, em regime semiaberto.
Já Anna Carolina foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão, por homicídio triplamente qualificado, cometido contra menor de 14 anos, e mais oito meses pelo crime de fraude processual, também em regime semiaberto.
A defesa já recorreu, mas o casal não poderá aguardar a decisão em liberdade.
Enquanto o juiz Maurício Fossen lia a sentença, Alexandre Nardoni olhava para o chão --ele chorou desde que ouviu a condenação. Anna Jatobá olhava para o juiz durante a leitura e chorou somente ao final dela. A sentença acabou de ser lida à 0h40 pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri do fórum de Santana (zona norte de São Paulo).
Na sentença, Fossen afirma que o crime teve a "presença de uma frieza emocional e uma insensibilidade acentuada por parte dos réus, os quais, após terem passado um dia relativamente tranquilo ao lado da vítima, passeando com ela pela cidade e visitando parentes, teriam, ao final do dia, investido de forma covarde contra a mesma, como se não possuíssem qualquer vínculo afetivo ou emocional com ela". Para Fossen, o "desequilíbrio emocional demonstrado pelos réus constituiu a mola propulsora para a prática do homicídio".
Ao menos 4 dos 7 jurados que integravam o conselho de sentença foram favoráveis à condenação do casal. Segundo o promotor Francisco Cembranelli, o juiz Maurício Fossen interrompeu a votação, após o quarto voto favorável, para manter o sigilo dos jurados.
Os réus, que não usaram algemas ao longo do júri --que havia começado na segunda-feira (22)--, entraram algemados no plenário para a leitura da sentença. Alexandre e Anna Carolina já estão presos há quase dois anos, logo após a morte da criança. Eles saíram do fórum e seguiram direto para Tremembé (147 km de São Paulo), onde estavam detidos.
Do lado externo do fórum, cerca de 200 pessoas acompanhavam o fim do julgamento, segundo a Polícia Militar. Ao ouvir a condenação, manifestantes soltaram rojões.
Dia a dia
O julgamento do casal começou na segunda (22), quando a mãe de Isabella foi ouvida. Após depoimento, ela ficou retida a pedido da defesa do casal Nardoni, que avaliava pedir uma acareação com os réus. Incomunicável, Ana Carolina Oliveira foi diagnosticada com estado agudo de estresse e liberada das dependências da Justiça na manhã de quinta.
No total, sete testemunhas prestaram depoimento
Na terça (23), informações técnicas marcaram o segundo dia do júri. Foram ouvidas três pessoas : a delegada Renata Helena Silva Pontes, o médico-legista Paulo Sérgio Tieppo Alves --ambos testemunhas comuns à defesa e à acusação--, e o perito Luís Eduardo Carvalho, que veio da Bahia convocado pela Promotoria.
A delegada deu informações sobre as investigações e disse que indiciou o casal por ter certeza da culpa do pai e da madrasta na morte de Isabella. O médico-legista reafirmou que a menina foi ferida na testa, esganada, arremessada contra o chão e jogada do sexto andar do prédio onde moravam os acusados. O perito Luís Eduardo Carvalho Dórea, convocado pela Promotoria, fechou os depoimentos.
Na quarta (24), o júri foi reiniciado com o depoimento da perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalística. Testemunha comum à defesa e à acusação, ela foi ouvida das 10h25 às 17h, com uma pausa de aproximadamente uma hora para almoço.
À Justiça a perita afirmou que testes apontam que Nardoni jogou a filha do sexto andar do edifício London, onde morava com Anna Jatobá, madrasta de Isabella.
Os réus foram interrogados no quinto dia do júri. Ambos negaram envolvimento na morte da menina.
Nesta sexta ocorreram os debates entre acusação e defesa. O promotor Francisco Cembranelli chamou o casal de mentiroso, tentou mostrar que Alexandre e Anna Jatobá estavam no apartamento no momento da queda da menina e que viviam uma relação conturbada. Já o advogado Roberto Podval contestou dados técnicos e usou detalhes, como um fio de cabelo, para sustentar falhas da perícia.
Ao longo dos dias, muitas pessoas foram até o fórum de Santana para protestar ou para tentar assistir ao júri. A plateia do 2º Tribunal do Júri tem capacidade para 77 pessoas --reservada a jornalistas, assistentes da Promotoria e dos advogados da defesa, além de familiares dos réus e da vítima. O público era autorizado a entrar no plenário pela manhã e à tarde, após a pausa para almoço. O número era determinado pelo juiz.
Encontrado em : http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u712825.shtml
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